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14 December 2012

Manuscritos merovíngios e carolíngios

A Biblioteca Municipal de Lyon tem uma oferta invejável de materiais digitalizados disponíveis on-line. Entre eles, na página Manuscrits mérovingiens et carolingiens, um conjunto de 55 “manuscrits” (código secreto francês para “‘códices’”) escritos entre o século V e o século X. (Consultar a Lista dos Manuscritos)
Sto. Hilário de Poitiers, Tractatus super Psalmos. Ms. 452
Pertenceram à antiga biblioteca episcopal e a sua existência deve-se em grande parte à acção do diácono Florus, teólogo especialista em Sto. Agostinho, que recolheu e mandou copiar inúmeros códices. A maioria é constituída por livros de estudo, sem ornamentação, escritos em magnífica letra uncial, como o Tractatus super Psalmus do século V, em minúscula primitiva (semi-uncial) ou carolina — p. ex. o manuscrito com a Lex Romana Wisigothorum, do século IX (ante 860), com rubricas em capital rústica:
Lex Romana Wisigothorum, Ms. 375





Um ou outro, porém, devidamente  merecedor de tratamento especial no site, destaca-se pela beleza da iluminura.

Evangelhos, Ms. 431







Evangelhos de meados do século IX (post 835).
«Peintures remarquables aux canons (f.7v - 11) et au commencement des quatre Évangiles (f.11v - f.12, f.71v - f.72, f.115v - f.116, f.183v - f.184)»

Aqui o fl. 12r, com a palavra «LIBER».

9 February 2012

Modelos de descrição de escritas

DigiPal — Digital Resouce and Database of Palaeography, Manuscripts and Diplomatica — é um projecto liderado por Peter Stokes, paleógrafo inglês e professor no King’s College de Londres. Com o intento de formar um catálogo de centenas de imagens de manuscritos do século XI em letra anglo-saxónica (ou insular), e perante a necessidade de fornecer descrições de (cali)grafias tão completas e uniformes quanto possível, Peter Stokes pretende desenvolver um modelo descritivo das escritas medievais que permita pesquisa em bases de dados semelhantes. As suas propostas (reflexões) iniciais foram publicadas nas seguintes entradas do blog DigiPal:


Além dos comentários deixados por alguns leitores nas páginas do blog, Dominque Stutzmann, paleógrafo francês, investigador no IRHT, responde agora, no seu próprio blog, Paléographie Médiévale, com um texto excelente (a continuar) intitulado “Modélisation des signes graphiques (1)”.

Não se trata “apenas” de Paleografia Digital ou de Digital Humanities (termo que eu muito gostaria de saber como se traduz). Esta discussão vai mais fundo, toca em questões teóricas e práticas da disciplina, questões tão importantes e antigas como a terminologia, a integração do elemento feitura (ductus) na descrição de escritas, os modelos abstractos de categorização e classificação da escrita alfabética...

A seguir, com muita atenção!

6 February 2012

Europeana Regia – website


Um projecto impressionante: a reconstituição de bibliotecas régias. A quantidade de manuscritos que serão disponibilizados na íntegra é espantosa: 874. Uma fonte excelente para fazer estudos paleográficos, para ter acesso a textos e manuscritos de difícil acesso, para observar — com as limitações óbvias — aspectos codicológicos e artísticos.
The principal objective of Europeana Regia is to reconstruct, in the form of a virtual library, the most important European royal collections of documents from the Middle Ages to the Renaissance. This project will provide a means for researchers and the general public to access these rare and precious documents, through platforms such as Gallica, Belgica, Manuscripta Mediaevalia and Europeana, by 2012.

Managed by the Bibliothèque nationale de France (BnF), Europeana Regia unites five European libraries — the Bayerische Staatsbibliothek, Munich (BSB), the Universitat de València Biblioteca Històrica (BHUV), the Herzog August Bibliothek, Wolfenbuttel (HAB) and the Koninklijke Bibliotheek van België – Bibliothèque royale de Belgique (KBR) — and concerns almost nine hundred manuscripts that are representative of the political, cultural and artistic history of Europe.

This project focuses on three sets of manuscripts which are currently dispersed among different member States: Carolingian manuscripts, the manuscripts of the library at the Louvre in the time of Charles V and Charles VI, and the library of the Aragonese Kings of Naples.